Não era comigo...
Nunca é "comigo" até ao dia que passa a ser
Numa viagem que fazemos diariamente, um dia algo diferente nos chama a atenção...
Mas, isto, aquilo já lá estava, sempre esteve, mas nem sempre os olhos
se detêm no mesmo ponto, o nosso pensamento, dependo do dia da hora das
condições atmosféricas guia-nos para outras paisagens.
O brilho, deslumbra e quantas vezes ofusca...
ali mesmo ao lado a "realidade" que pode ser de uma beleza extraordinária ou uma de uma pobreza atroz.
Não vimos ...mas, no dia em que seja necessário parar na viagem por
exaustão, por necessidade, toma-se então consciência que o brilho é
"baço"...que ali, mesmo a nossos pés a realidade é bem diferente.
E então, vem a revolta, o choro a contestação...
Procura-se explicações, apoios e tudo parece ser negro...
Pois é...conheço alguém que numa destas viagens anos e anos a fio só viu o brilho...
Um dia, bem... um dia teve de parar e tudo lhe pareceu negro.
Veio junto a mim e com lágrimas nos olhos disse-me "eu nunca pensei que fosse assim".
Pois é, disse-lhe eu, sabes?
Eu faço essa viagem muitas vezes, há muitos anos, mas sempre na sombra, desde que a estrada se "abriu"...
Nunca o brilho me ofuscou, nunca me sentei à mesa com os "Reis", o meu
lugar foi lá, junto na "sombra" daí que a mesma é minha companheira.
A viagem não termina aqui é como uma "roleta" e quando a dor caí no esquecimento eis de novo o brilho...
Mas, o percurso ainda não terminou e, bem... um dia destes a história repetir-se-á.
Ah! como me sinto feliz de nunca ter estado na mesas dos reis.
Maria Gertrudes
Sem comentários:
Enviar um comentário