domingo, 15 de dezembro de 2013

Tempos de dois de conversa e saudades das mesmas.

Amigo, hoje parece mesmo ser um dia nostálgico.
Tenho tido visitas todo o dia.
Gosto de ter pessoas por perto, mas gosto muito de estar em casa com os meus, pelo menos nos domingos.
Coisa estranha não é? Será também nostalgia?
Saudades do dia de amanhã?
Como tu gostas de dizer: Saudades só do futuro!
O dia está a terminar e eu sinto um nó no estômago como se hoje não tivesse sido Domingo e algo de importante  tivesse ficado para trás.
Amanhã pode ser que voltemos a ter saudades do futuro!

Um abraço de nostalgia.

«Maria»

Nota: Haja pachorra! Estou a contagiar os meus amigos com as minhas fobias. Maria, o domingo, já era. Agora até gosto muito, não digo porquê. Continuo a não gostar de sábados.

2 comentários:

  1. Estou a sentir ciúmes de ti Maria...
    Haja pachorra !!!
    Imaginas...porque alguém sentiria ciúmes de ti mulher...fica aqui um mistério...rsrsrs...
    Responder
  2. Maria Gertrudes Calado da Silva CaladoMarço 07, 2011 12:08 PM
    Amigo Joaquim, não estás contagiar-me com todas as tuas "fobias",de certo modo todos nós as temos.
    O que me tens contagiado é uma enorme força, de ir em frente de agarrar a vida.
    Aprender não é "contagiar" e eu tenho aprendido e muito contigo.
    Nostalgia... é um estado de espírito diferente da saudade, mas talvez sejam "parentes".!
    Gosto de escrever para ti nesses momentos, sei que os compreendes.

    Quanto a comentário do anónimo acima, ciúmes de quê?
    Também não me interessa saber porque alguém sentiria ciumes de mim...!?
    A minha Família é que conta e os amigos verdadeiros, esses sim podem quando muito sentir a minha ausência em certas alturas,por fisicamente ter de estar ausente.
    Ciumes é um sentimento de insegurança.
    Os meus estão seguros de que me tem e isso me basta.
    <3


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O pastor amoroso perdeu o cajado

O pastor amoroso perdeu o cajado,
E as ovelhas tresmalharam-se pela encosta,
E, de tanto pensar, nem tocou a flauta que trouxe para tocar.
Ninguém lhe apareceu ou desapareceu. Nunca mais encontrou o cajado.
Outros, praguejando contra ele, recolheram-lhe as ovelhas.
Ninguém o tinha amado, afinal.
Quando se ergueu da encosta e da verdade falsa, viu tudo;
Os grandes vales cheios dos mesmos verdes de sempre,
As grandes montanhas longe, mais reais que qualquer sentimento,
A realidade toda, com o céu e o ar e os campos que existem, estão presentes.
(E de novo o ar, que lhe faltara tanto tempo, lhe entrou fresco nos pulmões)
E sentiu que de novo o ar lhe abria, mas com dor, uma liberdade no peito.

“O Pastor Amoroso”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O fim de uma viagem é apenas o começo de outra.
José Saramago.

"A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam.
E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa.
Quando o visitante sentou na areia da praia e disse: “não há mais o que ver”, saiba que não era assim.
O fim de uma viagem é apenas o começo de outra.
É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava.
É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles.
É preciso recomeçar a viagem. Sempre"

terça-feira, 8 de outubro de 2013

"Apesar de,
É preciso amar.
Apesar de,
É preciso sofrer.
Apesar de,
É preciso lutar.
Apesar de,
É preciso até cair.
Porque é o próprio apesar de
Que nos empurra para a frente"
 
Clarice Lispector in Uma Aprendizage

domingo, 11 de agosto de 2013

Ontem...
....ontem passei na rua das flores, ou dos mártires, na minha aldeia, uma das mais emblemáticas e cheias de histórias.
Aquela rua está ainda com o "cheiro" de outros tempos, as memórias remexidas são por vezes inesperadas, ainda não há muito e depois de algum tempo sem ali pensar, senti um nó e uma furtiva lágrima foi inevitável.
Ontem...bem ontem as memórias foram amenas, amenas como o tempo estava.
Subindo a rua e a cada casa fui lembrando...dizíamos em crianças que era a rua dos ricos, ali viviam as pessoas mais abastadas.
1º a casa do sr. Antunes, a casa da D. Adelina...a do Sr João Moreno...a taberna do Sr José Alves, a casa do sr Joaquim Ratinho...do Sr José Lopes....a da prima Angelina...a da Menina Marianita...a velhinha sociedade em tão emblemático e belo prédio, a nossa Maria das Candeias, o o Sr. Balhabás, o Sr Manuel Lpoes, o sr joaquim Branco...entre outros
Brancos, Morenos, Antunes e Belos....gente simples e abastada, amigos do seu amigo.
Senti o cheiro dos frutos da época que ali se ião comprar a casa destes lavradores, senti o cheiro dos selos de correio que eram vendidos no então correio (casa do Sr Antunes) o cheiro dos tecidos que se compravam no Sr José Lopes, a sua simpatia e doce sorriso( exercia também o cargo de presidente da junta)...tantos atestados ali passados, o ranger rápido e certeiro vindo das máquinas da casa do Sr Joaquim Ratinho... donde saiam bonitos e vaporosos vestidos ou lindos bordados, assim como fatos de homem, mãos habilidosas cheias de arte e saber de sua esposa e filha.
Rua acima vim falando para mim...murmurando e sorrindo com aquelas memórias...
Aquela rua é ainda uma rica rua rica, cheia de cheiros de flores que partiram de memórias que ficam, lições de vida de gente de bem e que tão bem o faziam.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Não abandone o seu jardim porque apareceram ervas daninhas. Arranque da terra o que a contamina, mas não abra mão de sentir o perfume das flores. No jardim da amizade é assim também que funciona.

by Crisbalbueno


É o que estou fazendo no meu jardim da amizade

sábado, 29 de junho de 2013


Este dia meio esquisito fez-me bem...
Gosto de Sol, de Luz, mas o calor não é o meu maior aliado, não se zanguem...mas eu gosto de chuva, não muita claro...e hoje o dia deu para saborear uma temperatura amena e umas boas mas rápidas"chuvadas"...
Para mim um dia perfeito, ambíguo como algumas pessoas...e instável mas moderado como outras.
Pois é...agrada a uns não agrada outros, hoje deu para agradar a quase todos.
A luz é essencial para a vida, e a água o é igualmente.
Uma ilumina outra alimenta...tal como as plantas precisam de ambas o amor também precisa para florescer crescer.
Hoje, bem hoje... sinto uma enorme leveza, tenho junto a mim todos que amo, cuidei das minhas plantas, saí um pouco por aí... de sandálias e sem chapéu de chuva, molhei os pés...senti-me como que uma criança "chapinhado" na água...ri...brinquei...
Enfim como diz o ditado de "velhos voltamos a meninos"...sinto a alma lavada, sinto-me leve, leve...
Bendito hoje o meu estado...

Maria Gertrudes


Sorrio...um sorriso meio ambíguo que me deixou a olhar para dentro de mim e pensar: Então "cachopa" esse sorriso não é o teu...
ai, ai, ai...
Ora vamos lá, vamos lá, deixa esse sorriso engole-o e solta o de sempre, o teu

Maria Gertrudes

  • Quando no teu peito
    arder a revolta
    e um desgosto infinito
    Pelos que te traíram
    Quando com língua perversa
    fizerem da tua vida
    o assunto da conversa
    Quando tiverem pena de ti
    Por não seres menos do que és
    E por calcares aos pés
    a falsidade
    de que se alimentam
    Quando aqueles que chamas irmãos
    vierem mais tarde a apunhalar-te pelas costas
    Quando vires sucumbir à tua beira
    um a um todos os teus
    sem lhes poder acudir
    Quando a tua alma inteira
    for só cicatrizes, que novo golpe fizer rebentar
    Quando já não tiveres lágrimas para chorar
    Então
    pega nos farrapos da tua alma
    em carne viva do teu peito nu
    Faz com ela uma manta de trapos
    e agasalha na tua manta de
    farrapos
    Um outro mais pobre do que tu

    Teresa Andrade Santos.

  • Maria actualizou o seu estado.
    “ Quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito”

    (Jean Paul de Goudi)
Havia na minha aldeia
Um pobre cão perdido ou abandonado
O triste animal, dizem, por ali andou
meses e meses a fio
Contraiu doenças, mas quem podia nada fez
ninguém o viu
Manso, dizem seria...dócil e passivo
Não fugia de ninguém
mas sentido... no seu estado
ele mesmo se mantinha afastado
A doença não o levou
e na sua força se aguentou
Dizem que tinha sarna
Tal era o seu estado...deste triste abandonado
Que num triste dia malfadado
Alguém o queria "afastado"
E terminou ali o seu fado.

Chança 14 de Junho de 2013


Maria Gertrudes

Aromas de Outrora

Não era comigo...

Nunca é "comigo" até ao dia que passa a ser

Numa viagem que fazemos diariamente, um dia algo diferente nos chama a atenção...
Mas, isto, aquilo já lá estava, sempre esteve, mas nem sempre os olhos se detêm no mesmo ponto, o nosso pensamento, dependo do dia da hora das condições atmosféricas guia-nos para outras paisagens.
O brilho, deslumbra e quantas vezes ofusca...
ali mesmo ao lado a "realidade" que pode ser de uma beleza extraordinária ou uma de uma pobreza atroz.
Não vimos ...mas, no dia em que seja necessário parar na viagem por exaustão, por necessidade, toma-se então consciência que o brilho é "baço"...que ali, mesmo a nossos pés a realidade é bem diferente.
E então, vem a revolta, o choro a contestação...
Procura-se explicações, apoios e tudo parece ser negro...
Pois é...conheço alguém que numa destas viagens anos e anos a fio só viu o brilho...
Um dia, bem... um dia teve de parar e tudo lhe pareceu negro.
Veio junto a mim e com lágrimas nos olhos disse-me "eu nunca pensei que fosse assim".
Pois é, disse-lhe eu, sabes?
Eu faço essa viagem muitas vezes, há muitos anos, mas sempre na sombra, desde que a estrada se "abriu"...
Nunca o brilho me ofuscou, nunca me sentei à mesa com os "Reis", o meu lugar foi lá, junto na "sombra" daí que a mesma é minha companheira.
A viagem não termina aqui é como uma "roleta" e quando a dor caí no esquecimento eis de novo o brilho...
Mas, o percurso ainda não terminou e, bem... um dia destes a história repetir-se-á.
Ah! como me sinto feliz de nunca ter estado na mesas dos reis.

Maria Gertrudes


Para todas as rosas, para todas as flores um beijinho de bom dia especial para Maria Gertrudes

Rosa acordada, que sonhaste?
Nas pálpebras molhadas vê-se ainda
Que choraste...
Foi algum pesadelo?
Algum presságio triste?
Ou disse-te algum deus que não existe
Eternidade?
Acordaste e és bela
Vive!
O sol enxugará esse teu pranto
Passado
Nega o presságio com perfume e encanto!
Faz o dia perfeito e acabado!
Miguel Torga
Recomeça....

Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...

Miguel Torga
É que tenho mesmo mau Feitio!
para além de que estou velha e cada vez menos tolerante.
"Quem não anda em transportes públicos não sabe o que é a vida", dizia com algum humor, uma velha amiga que já partiu e sempre tinha uma outra história quando chegava ao serviço.
Hoje, para de muitas outras vezes lembrei-me dela.

Entrei no metro no Marquês de Pombal 13 h + ou -menos, um "bichinho " já no estômago...e um cansaço tremendo nas pernas.
Comigo entrou uma jovem, com bom ar juvenil, o seu "I-pod"( nem sei se é assim que escreve) e uns ténis de marca...
Sentou-se a meu lado e ato imediato...estica as pernas e apoia os pés no banco em frente.
Olhei-a, olhei e o nó no estômago aumentava, fome ?
Sentia-me contraída... seria da fome ou da falta de "coragem" para lhe dizer se achava bem...
Em frente um outro jovem, percebia o meu embaraço, olhava discretamente e esboçava um não menos embaraçoso sorriso.
Uf!!!!
O nó no meu estômago ia crescendo...
E entre o digo e não digo...
...pode ser que a menina sai na próxima paragem
Chegando ao campo grande, enchi o peito de ar e estiquei os meus enormes pés, junto dos ténis da menina...
Mas, não, não percebeu, retirei os meus pés...toquei-lhe delicadamente num braço , retirou os fones e disse-lhe: Repare nos meus pés inchados, deve ser confortável esticá-los assim como os seus...mas acha bem?
O outro jovem dirigiu-me um olhar afirmativo, sorriu e senti que estava tal como eu "incomodado".
A jovem, que até era simpática e educada, pediu-me desculpa...retirou os pés do banco...saiu na estação seguinte.
O outro Jovem conteve fortemente o riso, não sei se do que tive coragem de dizer, ou de ter os meus belos e enorme pés a seu lado.
Cheguei cheia de fome e pensei oh minha menina Maria Gertrudes, um destes dias levas um bom bofetão...
Mas...o momento quando juntei os meus pés aos da jovem...foi uma ato de coragem, nos tempos que correm.
Mas foi um bom momento...aquele jovem ainda se deve estar a rir e a jovem tenho esperança que não volte a esticar os pés para o banco da frente.
Uf!!!!!!!!!!!!!
Isto de ser cota tem os seus "Quês"....
Quando eu morrer
Sim quando eu morrer....
Que admiração!
Eu, tu
Todos nós temos o nosso ciclo
A morte é a única certeza
que trazemos com a vida
Tanto " a" estranhamos...
Somos o que somos
Nada do que temos levamos
Quando eu morrer
Não quero, choros ou prantos
Quando eu partir...quero risos e abraços
Quero que os que ficam
fiquem com o som das minhas
gargalhadas
Das coisas loucas que fiz
eu levarei a brandura dos que me corrigiram
O calor dos que me amaram
Quando eu morrer
Ah! Quando esse dia chegar
Riam, riam,
mas riam sem parar
A morte não é partida
mas sim um novo chegar.

Bitudes 28.6.13
 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Se errei?
Sim muito.
Errei quando calei e não devia
Errei quando falei e devia ter calado
Continuo a errar mais do que a aprender.
Se tivesse transformado o meu silêncio
numa "raiva" silenciosa
se tivesse transformado as minhas palavras
em subtil veneno silencioso
Hoje seria eu mesma?
Seria a mulher sofrida, doída...exposta de cara e alma?
Seria eu melhor ?
Não, não seria
Não seria eu, seria a outra...
Eu sou eu, assim de alma nua

Bitu 10/6/2013

Sofrida

Se errei?
Sim muito.
Errei quando calei e não devia
Errei quando falei e devia ter calado
Continuo a errar mais do que a aprender.
Se tivesse transformado o meu silêncio
numa "raiva" silenciosa
se tivesse transformado as minhas palavras
em subtil veneno silencioso
Hoje seria eu mesma?
Seria a mulher sofrida, doída...exposta de cara e alma?
Seria eu melhor ?
Não, não seria
Não seria eu, seria a outra...
Eu sou eu, assim de alma nua

Bitu 10/6/2013

quinta-feira, 21 de março de 2013

A Bela deixou-nos

Tinha tudo para ser feliz!
Era jovem, 42 anos
Mãe de uma linda menina de 17 anos,
Tinha: trabalho
alegria
uma família harmoniosa
saúde.
De um momento vindo do"nada"...
partiu da vida...assim sem mais.
Deixa a todos certamente uma grande dor.
A nós vizinhos...
a sua falta e a lição para além da dor
que a vida não é nada
Nós não somos NADA...NADA...
Hoje no nosso bairro todos estamos tristes...
Amanhã...talvez seja mais ameno
Tudo volta ao seu normal...
Mas a Bela partiu, cheia de vida, de sonhos
E nós voltaremos a lamentar o que não temos
e a esquecer de agradecer o "muito" do pouco que temos