quinta-feira, 26 de março de 2015

Vende...dor de silêncios

Gosto de vaguear no silêncio que concebo de entre as multidões, sentir-me ali no meu silêncio, como se nada mais existisse
tanto tumulto em meu redor, mas em mim apenas o meu silêncio
silêncio, conquistado com mágoas e dor, que faz de mim um triste sofredor
um vencedor,
Um vende...dor de silêncios.
Bitudes

sábado, 25 de janeiro de 2014

Bom fim de tarde amigos.
Hoje quero partilhar convosco uma história que creio relatar bem o (des)conhecimento da nossa doença e como de certo modo, só a sentimos quando bate à porta de cada um e como também conseguimos dar a volta quando as "benditas" dores nos dão uma pequena e fugaz folga.
Sou uma pessoa de 60 anos, extrovertida, um pouco louca(...) como digo e assumo, gosto de brincar e apesar de brindada por tão "deliciosa"doença, sou muito vaidosa e...até uso dois furinhos a mais nas orelhas, enfim formas de estar...
Pois bem, descrita um pouco a minha forma de "estar"imagina-se que ainda mais tenho de ouvir as pessoas : olha está doente mas tem sempre vontade de se arranjar, se estivesse doente não brincava assim, ah! diz que não pode estender roupa, nem isto e aquilo etc...etc...conversa, conversa...aquilo são tudo coisas da cabeça dela, ora, ora, se estivesse doente como diz nem saía da cama...
Todos nós aqui, sabemos de cor e salteado estas observações tão dolorosas quanto as nossas dores.
Um destes dias desta semana, encontrei um amigo, com mais uns 15 anos que eu (mais + ou - )e conversa, daqui , conversa dali...as idades, o tempo, as artroses, os filhos, e...diz-me ele com lágrimas nos olhos, pois o pior de tudo ainda é a minha filha, tão nova 45 anos e tão doente, tu tens sido doente, mas a minha filha coitada dela se não fosse o marido, não sei, não sei...
Respondi-lhe, pois há doenças que não escolhem idades...
Diz-me com os olhos ainda mais lacrimantes, a minha filha tem aquela doença que dá muitas dores, tem sempre dores é uma coisa horrível... tem fibromialgia...
Oh! parente como eu sei o que isso é...
Mas tu também tens isso?
Eu...sorri e respondi-lhe:
Olhe como peso 99 kg, ainda tenho direito a mais qualquer coisa e sempre são 99kg de carne a doer...
Sorriu-se e eu disse-lhe que se a filha tivesse facebook, poderia juntar-se a este grupo, sempre se encontraria menos só, mas com as mesmas dores.
Pois é...a dor dos outros é sempre maior que a nossa, afinal por vezes e como digo a brincar a diferença está no
Gosto ·  · há 3 horas peso...
É mais é ou menos carne a doer.
Boa Tarde amigos (as) da fibromialgia.
Se a a nossa doença é altamente incapacitante e dolorosa, não menos é a intolerância de quem nos rodeia.
As pessoas ainda olham para nós, como seres "preguiçosos" e doentes psicológicos.
No meu caso para além da fibromialgia, ainda tenho uma doença auto imune e outras de foro degenerativo, documentadas por exames e análises.
A falta de respeito para com estas doenças, causa-nos tanto ou mais sofrimento do que as dores e incapacidade, que diariamente temos de enfrentar.
O problema reside, penso eu...na enorme força de vontade em querer agarrar tudo o que não pudemos fazer.
Não se esqueçam, somos pessoas de "fibra" temos aquilo que a muitos falta, a vontade enorme de estar bem, quando e tão raramente a nossa dor crónica nos alivia.
Atenção: " As pessoas não tem dores porque estão deprimidas, as pessoas estão deprimidas porque tem dores".
E nós, nós... bem o sabemos.
Força para todos.
Beijinho de uma "falsa acomodada" fibromiálgica.
Gosto ·  · 15/1 às 19:33

domingo, 15 de dezembro de 2013

Tempos de dois de conversa e saudades das mesmas.

Amigo, hoje parece mesmo ser um dia nostálgico.
Tenho tido visitas todo o dia.
Gosto de ter pessoas por perto, mas gosto muito de estar em casa com os meus, pelo menos nos domingos.
Coisa estranha não é? Será também nostalgia?
Saudades do dia de amanhã?
Como tu gostas de dizer: Saudades só do futuro!
O dia está a terminar e eu sinto um nó no estômago como se hoje não tivesse sido Domingo e algo de importante  tivesse ficado para trás.
Amanhã pode ser que voltemos a ter saudades do futuro!

Um abraço de nostalgia.

«Maria»

Nota: Haja pachorra! Estou a contagiar os meus amigos com as minhas fobias. Maria, o domingo, já era. Agora até gosto muito, não digo porquê. Continuo a não gostar de sábados.

2 comentários:

  1. Estou a sentir ciúmes de ti Maria...
    Haja pachorra !!!
    Imaginas...porque alguém sentiria ciúmes de ti mulher...fica aqui um mistério...rsrsrs...
    Responder
  2. Maria Gertrudes Calado da Silva CaladoMarço 07, 2011 12:08 PM
    Amigo Joaquim, não estás contagiar-me com todas as tuas "fobias",de certo modo todos nós as temos.
    O que me tens contagiado é uma enorme força, de ir em frente de agarrar a vida.
    Aprender não é "contagiar" e eu tenho aprendido e muito contigo.
    Nostalgia... é um estado de espírito diferente da saudade, mas talvez sejam "parentes".!
    Gosto de escrever para ti nesses momentos, sei que os compreendes.

    Quanto a comentário do anónimo acima, ciúmes de quê?
    Também não me interessa saber porque alguém sentiria ciumes de mim...!?
    A minha Família é que conta e os amigos verdadeiros, esses sim podem quando muito sentir a minha ausência em certas alturas,por fisicamente ter de estar ausente.
    Ciumes é um sentimento de insegurança.
    Os meus estão seguros de que me tem e isso me basta.
    <3


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O pastor amoroso perdeu o cajado

O pastor amoroso perdeu o cajado,
E as ovelhas tresmalharam-se pela encosta,
E, de tanto pensar, nem tocou a flauta que trouxe para tocar.
Ninguém lhe apareceu ou desapareceu. Nunca mais encontrou o cajado.
Outros, praguejando contra ele, recolheram-lhe as ovelhas.
Ninguém o tinha amado, afinal.
Quando se ergueu da encosta e da verdade falsa, viu tudo;
Os grandes vales cheios dos mesmos verdes de sempre,
As grandes montanhas longe, mais reais que qualquer sentimento,
A realidade toda, com o céu e o ar e os campos que existem, estão presentes.
(E de novo o ar, que lhe faltara tanto tempo, lhe entrou fresco nos pulmões)
E sentiu que de novo o ar lhe abria, mas com dor, uma liberdade no peito.

“O Pastor Amoroso”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O fim de uma viagem é apenas o começo de outra.
José Saramago.

"A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam.
E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa.
Quando o visitante sentou na areia da praia e disse: “não há mais o que ver”, saiba que não era assim.
O fim de uma viagem é apenas o começo de outra.
É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava.
É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles.
É preciso recomeçar a viagem. Sempre"

terça-feira, 8 de outubro de 2013

"Apesar de,
É preciso amar.
Apesar de,
É preciso sofrer.
Apesar de,
É preciso lutar.
Apesar de,
É preciso até cair.
Porque é o próprio apesar de
Que nos empurra para a frente"
 
Clarice Lispector in Uma Aprendizage